domingo

Alma morta


Temo que não possuo mais um “coração”, pois tive que executá-lo por sofrer muitos ferimentos e não estar mais agüentando. Portanto pus fim ao seu sofrimento. E sofria muito!

Ele não havia nascido para amar, era fraco e não estava resistindo mais as pancadas da vida. Fiz isso por mim e para ele, antes que fizessem por nós e, talvez, de forma pior. Hoje só existe aquela carne que bombeia a vida do meu corpo, porque o verdadeiro coração (a alma) está morto. Tornei-me uma máquina!

É besteira, tolice, covardia e demais adjetivos para quem olha e analisa de fora, mas cada um tem a dor que merece e só ele sabe o tamanho dela. E não os condeno por isso, porque julgar é muito fácil e eu ultimamente estou procurando dificuldades, desafios para afagar isso. Não é nada fácil!

Éramos do tipo que nasceu para ajudar, aconselhar, apoiar, “arranjar” (se é que vocês me entendem). Até que resolvemos experimentar um pouco do que fazíamos antes e a partir daí... Queda atrás de queda, pancada atrás de pancada, dor atrás de dor... Era o começo do nosso fim!

Pensamos: se não nascemos para isso, para que continuar? Para que insistir? Concordamos que a morte de um seria melhor para evitar maiores dores e para que a dor não se transportasse para as outras pessoas, a alma aceitou que era ela a melhor a ser sacrificada. Até porque de uma forma ou de outra ela partiria de qualquer jeito. E o sacrifício foi feito!

Sorrisos, compartilhamentos de alegria, emoções e demais coisas ainda continuam, até porque é uma excelente casca, um excelente vidro blindado contra tudo. Possui um grande poder de engano... E ninguém percebe!

Mas os olhos...

Criado sob o som de 1901 e The A Team - Birdy
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